Assim como outros setores responsáveis por produção e serviços, as escolas brasileiras estão sentindo o impacto da pandemia, vendo-se na obrigação de atender à necessidade de isolamento social devido ao COVID-19. A partir de imposição dos órgãos competentes, suspenderam as atividades presenciais e passaram a oferecer seus serviços pela Internet.

Desse modo, foi necessário que as escolas de ensino básico elaborassem às pressas um plano de emergência, a fim de manter os estudantes ativos durante este período de reclusão forçada. Essa nova estratégia implicou uma mudança significativa na prática dos professores, além de alterações na grade curricular, abrangendo conteúdos e tempo de permanência dos alunos nas atividades escolares, a fim de adaptá-la ao ensino a distância.  

Antes dessa pandemia, alguns segmentos da área educacional (faculdades, por exemplo) já vinham mantendo cursos opcionais a distância, aproveitando as facilidades decorrentes do desenvolvimento da Internet. Tratava-se de uma modalidade de ensino paralela, com um planejamento direcionado a um nicho específico de alunos. 

Evidentemente, as instituições de ensino básico não estavam preparadas para oferecer seus serviços nesse novo formato.  E, como em tempos de guerra e de grandes catástrofes, foi necessário adequar-se a essa nova realidade em caráter de urgência, o que implicou e continua implicando improvisações, tentativas e erros. 

Nesse cenário, as redes sociais, por possibilitarem uma rápida comunicação, passaram a ser intensamente utilizadas pelas comunidades educacionais, interessadas em contribuir para otimizar esse trabalho a distância. Assim, essas redes se agitaram com uma grande diversidade de sugestões e opiniões, provindas de pais, alunos e colaboradores.

Nesse contexto, que ainda se mantém, é natural surgirem proposições enganosas, que não levam em conta o fato de a demanda criada ser efêmera. Em breve, com o fim do surto do COVID-19, ela não mais existirá, independentemente de o trauma permanecer por algum tempo. Por isso, alguns esclarecimentos são necessários.

Primeiramente, deve-se considerar que as escolas de educação básica são instituições diferentes dos estabelecimentos que se especializaram no ensino a distância. Por isso, mesmo as que têm o departamento de tecnologia educacional muito desenvolvido, não estão preparadas para repetir o modelo do EAD. Isso porque o propósito do ensino a distância, oferecido por algumas instituições desde a segunda metade do século XIX, sempre foi o de preencher uma lacuna, oferecendo formação às pessoas que, por limitações de tempo e espaço, não podiam frequentar uma escola presencial. 

Com o desenvolvimento das comunicações, culminando com a Internet, o ensino a distância pôde aprimorar-se como nunca, mas sempre se manteve como uma alternativa para quem não podia frequentar aulas presenciais. Desse modo, sua experiência com E-learning, videochamadas, aulas transmitidas ao vivo, perguntas e respostas ao vivo, criação de sites para turmas, testes on-line, feedback em tempo real, quadros brancos virtuais, compartilhamento de recursos com membros da equipe de professores, nessa situação de emergência vivida pelas escolas neste momento, passa a ser de grande utilidade e, mais do que isso, única solução possível. 

Contudo, todo esse esforço deve ser entendido como emergencial. É natural que, nas condições atuais de isolamento e com as redes sociais disponíveis, as pessoas disponham de mais tempo e condições para veicular suas opiniões e conclusões, embora algumas delas sejam apressadas e emocionais. Desse modo, as partes envolvidas no processo educacional – alunos, pais, professores, gestores – devem refrear a impulsividade e ponderar. Cabe às escolas buscar, com lucidez e equilíbrio, as plataformas digitais necessárias para atender aos diversos segmentos envolvidos na aprendizagem escolar.

Assim, devem procurar alternar aulas ao vivo com videoaulas, estudos dirigidos de formato tutorial, fóruns, filmes e vídeos garimpados na Internet e outras opções contidas nesse mundo de possibilidades que a tecnologia atual oferece. 

Outro risco, nesse ambiente de medo e insegurança, é esquecer-se do papel fundamental da escola, que deve contemplar tanto a preparação acadêmica quanto a formação dos alunos para a vida. Este último aspecto implica o desenvolvimento das habilidades socioemocionais e de ações alicerçadas no conjunto de princípios e valores responsáveis por definir o perfil da instituição. Abrir mão disso em função de uma escolaridade puramente conteudista, como se caracteriza o ensino a distância, por sua própria natureza, seria um retrocesso imperdoável. Devido às características de uma sociedade cada vez mais tecnológica e pragmática, mais do que nunca é necessária a preocupação com a formação completa das crianças e dos jovens. 

É compreensível que, em tempos de confinamento social e de home office, as pessoas lancem mão das redes sociais para tratar, principalmente, de questões de saúde pública, isolamento, limitações de todo tipo. Mas, se as épocas de crise são também épocas de oportunidades, esta crise atual pode constituir uma oportunidade para os pais conhecerem melhor as propostas de trabalho da escola em que seus filhos estudam, assim como as necessidades acadêmicas e formativas deles. 

Desse modo, mais uma vez, fica evidenciada a necessidade de uma parceria efetiva entre a família e a escola. Assim, contrapondo-se à tendência de polarização que marca a sociedade atual, esses dois núcleos, interessados na formação das novas gerações, devem seguir juntos, buscando caminhos e alternativas para melhor educar nossas crianças e jovens.