Há poucos anos, as escolas se destacavam no mercado educacional, exclusivamente, pela qualidade do ensino acadêmico. Apenas os alunos com rendimento acima da média eram supervalorizados e suas performances em competições intercolegiais, vestibulares e Enem passaram a ser de grande importância para as instituições em que estudavam, porque isso dava visibilidade a essas escolas. Não era raro que estudantes com grande sucesso acadêmico se transformassem em pessoas e profissionais de difícil convivência. Já aqueles outros, que não possuíam um QI brilhante e que preenchiam as demais vagas nas empresas, geralmente, apresentavam pouca iniciativa e dificuldade de trabalhar em grupo. No final dos anos 1990 e início deste século, norte-americanos, estudiosos da educação, começaram a chamar atenção para o fato de que rendimento escolar não era tudo na educação. Insistiam que a formação nas escolas deveria ser completa, favorecendo o desenvolvimento de competências e habilidades que equilibrassem a formação acadêmica e a emocional, desenvolvendo no estudante a capacidade de relacionar-se bem interpessoalmente e com o meio socioambiental. A ideia ganhou espaço no setor educacional e passou a ser estimulada pelo mundo empresarial, que sentia necessidade de profissionais com capacidade de atuar em equipe, de demonstrar equilíbrio em situações de tensão, de ter alto potencial criativo e de se mostrarem proativos nas relações profissionais e sociais. Aos poucos, essa tendência ganhou força e se disseminou no mundo ocidental. No Brasil, como as escolas Além do conhecimento não contavam com educadores preparados para esse trabalho, as instituições mais conscientes tomaram a iniciativa de preparar seus próprios profissionais.

COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS

Hoje, as competências e habilidades socioemocionais são uma realidade no país. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) apresenta, pelo menos, quatro competências direcionadas à formação socioemocional e é cada vez mais aceita a ideia de que cabe à escola promover o equilíbrio entre o ensino acadêmico, que privilegia o QI, e a inteligência emocional, que destaca o QE (quociente emocional). À medida que essa educação voltada também para as competências e habilidades socioemocionais se ampliar, teremos mais crianças e adolescentes desenvolvendo a capacidade de mostrar equilíbrio e resiliência em situações de tensão do cotidiano, de demonstrar autoconfiança ao se defrontar com desafios, de evidenciar responsabilidade diante de seus compromissos, de mostrar habilidade para conviver com as pessoas a sua volta, procurando se comunicar bem com elas, mostrando-se cooperativas e colaboradoras –mesmo em ambientes de competição–, obedecendo a regras e leis com naturalidade, respeitando a diversidade e trabalhando para o bem comum. Dessa forma, com uma educação que privilegia a formação completa do indivíduo, serão estabelecidas as bases de uma sociedade menos superficial, violenta, competitiva e consumista e mais equilibrada, saudável, humana, espiritualizada e, por que não, feliz.

Eldo Pena Couto

* Artigo publicado na revista Encontro, edição especial, ano XVIII, nº 223.