As recentes revelações de fatos lastimáveis ocorridos no cenário político e empresarial do País, que se somam a uma série de outros que a mídia vem divulgando nos últimos anos, evidenciam que vivemos em uma sociedade na qual prevalecem valores duvidosos. Pessoas que exercem ou exerceram funções de liderança política, de gestão empresarial ou à frente de instituições públicas revelam-se, na verdade, regidas pelo egoísmo e por um pragmatismo estarrecedor.

Surge, então, uma pergunta inevitável: como uma sociedade pode ter chegado a esse nível deplorável? Antes de responder apressadamente, é preciso ressaltar que esse comportamento não é homogêneo. Há um segmento da sociedade brasileira que, como ocorre em qualquer lugar do mundo, é responsável, honesto, trabalhador, honrado. Contudo, é desolador constatar que, infelizmente, esse segmento não é o que administra o País, sustenta as instituições, faz as leis, desenvolve os projetos de interesse público.

Exatamente onde as pessoas de bem deveriam atuar, percebe-se que estão ausentes. Esse espaço está ocupado por outro segmento, que vem se mostrando cada vez mais desenvolto, audacioso e voraz, ignorando qualquer noção de idoneidade, que é totalmente ofuscada pelo interesse pessoal, familiar e partidário. Como algo tão pernicioso encontrou terreno favorável para germinar, vicejar e frutificar? Fica evidente que, em determinadas circunstâncias, as pessoas ficam diante do momento de fazer escolhas. Suas atitudes são decorrentes das opções feitas nesse instante. Se são regidas pelo egoísmo e pelo interesse, suas escolhas serão, naturalmente, distorcidas. Escolhemos aquilo a que damos valor. E essa noção de valor se origina nos princípios que regem pessoas, grupos, instituições, sociedades.

Em suma, esses princípios são os pilares pelos quais nos regemos. Por isso, quando nos referimos a alguém que emprega meios duvidosos a fim de obter vantagens em níveis diversos, dizemos que se trata de uma pessoa sem princípios.

Por serem tão decisivos durante o processo formativo, crianças e adolescentes precisam ser alertados para que aprendam a fazer suas escolhas a partir de princípios. Mas, onde e quando eles lhes são ensinados? Nas instituições familiares, escolares e religiosas.

É inquestionável que o mais importante aprendizado ocorre na família, principalmente por meio do exemplo dos pais. Assim, quando os pais se regem por princípios equivocados, situação ainda mais agravada quando se distanciam das instituições religiosas, as escolas se veem na contingência de preencher esse vácuo e assumir a responsabilidade de conscientizar as crianças e adolescentes a respeito da importância de se regerem por princípios e, a partir deles, construírem seu sistema pessoal de valores.

Por isso, uma escola não pode ser um simples espaço de formação acadêmica e deve ambicionar mais do que colocar alunos nas universidades. Precisa ser um local onde o respeito a regras e normas seja considerado relevante, onde se demonstre que cada indivíduo tem um papel importante na formação de uma sociedade constituída de pessoas que precisam atuar de forma consciente, a partir dos princípios e valores que sustentem suas decisões.

Para que isso seja possível, é necessário que a escola privilegie também o trabalho com princípios como verdade, equidade, justiça, amor a Deus, amor ao próximo, humildade, empatia, autoconhecimento e inquietude. Esses princípios devem ser contemplados no planejamento escolar e, além de ensinados, precisam ser vivenciados quotidianamente na instituição tanto nas atividades propostas, como no exemplo dado pelos educadores.

Portanto, se pretendemos viver em uma sociedade sustentada por instituições fortes e constituída por pessoas que demonstrem atitudes superiores, altruístas e confiáveis, respeitadoras do próximo e do meio ambiente, precisamos, antes de mais nada, de escolas verdadeiras, cuja missão e objetivos sejam definidos a partir da valorização de princípios.

Artigo originalmente veiculado no caderno Opinião, do Jornal Estado de Minas, em 23 de dezembro de 2017.