Quando Marshal McLuhan, na década de 60, desenvolveu o conceito de aldeia global, anteviu que o avanço das comunicações transformaria radicalmente o mundo contemporâneo. Ponderou que a aproximação das pessoas em todo o planeta  geraria uma interação semelhante à existente em uma comunidade primitiva. O filósofo canadense considerou que os satélites haviam elevado o potencial da comunicação da televisão e do rádio a um novo patamar, diluindo as fronteiras e aproximando as mais isoladas culturas.

Os progressos tecnológicos nessa área, nos últimos anos,  tornaram reais as profecias de McLuhan, porém em um nível muito mais avançado do que ele poderia imaginar. A internet veio abolir as limitações de tempo e espaço de forma muito mais significativa  do que a televisão e o rádio, e o mundo, realmente, veio a transformar-se em aldeia. As pessoas agora conversam ou trocam mensagens escritas em qualquer lugar do globo, como se estivessem conversando no bar da esquina. O inglês, como língua universal, tornou o processo ainda mais efetivo. Quem não participa desse mundo virtual  vai-se tornando cada vez mais estranho nessa aldeia, onde ser diferente consiste não em pertencer a uma outra cultura, mas em não dominar os recursos eletrônicos de que a tribo dispõe.

Nessa ciberaldeia superpovoada, a excessiva proximidade gera benefícios e problemas semelhantes aos das aldeias primitivas. Entre estes, deve-se considerar que, devido à disseminação das redes sociais e à vigilância eletrônica, a privacidade deixa de existir , a interferência na vida alheia chega a gerar desconforto e o choque de opiniões gera conflitos frequentes. Nesse cenário, o WhatsApp brilha como uma supernova, possibilitando a postagem instantânea de mensagens escritas, ou por meio de áudio e vídeo. As turminhas da aldeia primitiva, agora, foram substituídas pelos grupos de WhatsApp, alguns comportados, outros cheios de problemas.

Esses grupos implicam uma diversidade espantosa. Congregam garotos em efervescência, colegas de escola, ex-colegas, colegas de trabalho, praticantes de modalidades esportivas, chefs amadores de cozinha, apreciadores de bebidas, produtores de texto, amantes de cinema, de livros, de pesca, de esportes, moradores de condomínios. E como todo grupo precisa de um líder, esse papel deveria ser exercido pelo administrador do grupo.

Como nas turminhas da primitiva aldeia, a união entre os integrantes dos grupos, às vezes, é estremecida por problemas diversos: ciúme, inveja, disputa pela liderança, divergência de opiniões, amuo, sensibilidade excessiva. Uma opinião a respeito de política ou futebol, por exemplo, pode causar constrangimento até entre sérios e amistosos colegas de trabalho, ou moradores de um condomínio. O desconforto pode evoluir para o descontentamento explícito, frequentemente manifesto na pressão para excluir elementos do grupo, ou na ameaça de elementos se autoexcluírem.

É aí que os formadores do grupo deveriam aparecer como personagens de destaque no cenário dessa comunidade virtual. Como pais que tentam equilibrar as delicadas relações familiares.