“Os rios não bebem sua própria água; as árvores não comem seus próprios frutos; o Sol não brilha para si mesmo e as flores não espalham sua fragrância para si. Viver para os outros é uma regra da natureza(…). A vida é boa quando você está feliz; mas, a vida é muito melhor quando os outros estão felizes por sua causa.”

Recebi essa mensagem por WhatsApp, com autoria atribuída ao Papa Francisco.  Em um primeiro momento,  a poesia com que se reveste tocou-me e pensei em compartilhá-la com vocês devido à alusão à liderança servidora. Contudo, examinando-a com mais atenção, minha formação em biologia acendeu-me um alerta: percebi que sua organização utilizava  elementos do mundo mineral e vegetal, para relacioná-los com o comportamento humano no final. A lógica da mensagem rompeu-se instantaneamente.

Não pode haver ideia de servir sem a presença da consciência. No reino animal, o instinto de sobrevivência é muito aguçado e rege grande parte das relações, só o Homo sapiens pôde desenvolver esse conceito de servidão. E entre  os homens  mesmos, tal qualidade só existe quando um indivíduo tem a capacidade de transcender.

Para servir, o homem precisa transcender seus instintos naturais e buscar, nos princípios fundamentais, o sentido de ir além do que é natural. Discernimento, sensibilidade e sabedoria, os pilares da liderança servidora, não se disseminam livremente:  são qualidades, às vezes, natas, às vezes, fruto de treinamento e determinação, mas que exigem trabalho, atenção permanente aos princípios e alto grau de consciência de quem pretende exercer uma liderança servidora verdadeira.